quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

[Resenha #24] Jogada Mortal, de Harlan Coben

Myron Bolitar está de volta em um novo mistério. Com um humor muito mais ácido e com o dobro de ameaças à sua vida; o detetive das causas perdidas e esportivas encontra um novo mistério a ser resolvido após o assassinato de uma renomada, porém já há muito decadente, tenista. Harlan Coben volta muito mais afiado nesse segundo volume das aventuras de Bolitar, mostrando que humor e mistério podem sim caminharem juntos.


Depois de ver sua carreira no basquete profissional chegar ao fim antes mesmo de começar, Myron Bolitar trabalhou para o FBI, formou-se em direito em Harvard e hoje está à frente de uma agência de representações esportivas, que toca com a ajuda da grande amiga Esperanza. Tudo parece ir bem até que Valerie Simpson, uma tenista que já foi a maior promessa do esporte, é morta durante um jogo do Aberto dos Estados Unidos. Ao que tudo indica, a jovem estava lá em busca de Myron, mas foi encontrada antes pelo assassino. Myron não imagina por que Valerie foi atrás dele, mas se sente culpado por não tê-la encontrado a tempo. Para piorar, seu cliente mais importante, o tenista Duane Richwood, se torna o principal suspeito do crime. Em busca da verdade, Myron descobre que a jovem vinha sendo assediada por um fã obcecado desde o início da carreira. Além disso, seis anos antes, ela estava prestes a ficar noiva do filho de um senador quando o rapaz foi morto sob estranhas circunstâncias. Enquanto tenta desvendar o assassinato da tenista, Myron se tornará um obstáculo para os interesses da máfia, de um político poderoso e de uma família influente. Agora ele e as pessoas que mais ama podem ser as próximas vítimas.


Ah, como senti falta dessa narrativa. Foram apenas alguns livros que separaram minha leitura de "Quebra de Confiança" de "Jogada Mortal", mas foi o suficiente para ter saudades desses personagens tão únicos que Harlan Coben criou. É impressionante como o autor consegue andar firmemente em uma linha tão tênue como essa que demarca a série de Myron Bolitar - não são todos que sabem fazer humor, são em menor número ainda aqueles que conseguem unir isso a uma boa dose de assassinato e ambiente Noir.


Peguei-me completamente imerso no enredo. Coben consegue dar um segmento tão plausível ao caso que não é difícil se ver preso ao livro por horas a fio. Já é uma clara constatação de que me tornei fã da escrita do autor - acredito ser um dos melhores do gênero atualmente. O interessante da série de Myron Bolitar encontra-se justamente nessa incursão inusitada do humor em um processo investigativo que, se tomarmos por base o gênero, está saturado pela secura de seus agentes protagonistas ou pela alta dose dramatização.

"- Ninguém se importa - falou Myron - Ela morreu e ninguém se importa
Win deu de ombros
- Ninguém nunca se importa."

(HARLAN COBEN)
A construção dos personagens tornou-se mais sólida. Myron transmite uma maior credibilidade em suas deduções intelectuais e passou a ter um pouco mais de "agente secreto" em seu DNA.A personalidade antitética de Win está ainda mais forte: um jovem bonito, de feições delicadas, rico e inteligente entra em conflito com os gostos depravados, as inclinações de caráter típicas de um sociopata e um gosto pelo sofrimento do próximo que somente Winsdor poderia nos apresentar. Esperanza é sensacional  - consagra-se facilmente como a personagem mais divertida de ser lida ao esbanjar o mau humor e o sarcasmo que somente uma secretária muito competente teria.


Esse segundo volume deixou claro que a dupla "Myron-Win" funciona incrivelmente bem. Os diálogos tornaram-se mais inteligentes e sincronizados - sim,  Coben mostrou que é possível elevar o nível do humor em uma cena com os dois amigos. Falando em cenas marcantes, Uma das mais intrigantes do livro se passa dentro de um consultório. Um diálogo fantástico entre Myron e a Dra. Julie Abramson - psicóloga da vítima-, totalmente fundado em uma situação hipotética que, no fim, apenas traduzia a realidade do caso. Um pouco enigmático, não? Creio que vocês entenderão minha posição assim que lerem a cena em questão.

" - Se fôssemos iguais, não daria certo. A esta altura, estaríamos os dois mortos. Ou loucos. Nós nos equilibramos. É por isso que você é meu melhor amigo. E é por isso que amo você.
Silêncio
- Não faça isso de novo - disse Myron"

Apesar de se tratar do segundo volume de uma série, bem como livros semelhante do gênero, é perfeitamente acessível a quem não tenha lido a primeira obra. Fatos julgados como importantes são sempre explicados ao leitor através da própria consciência de Myron - como é o caso da presença da escritora Jéssica em sua vida, da volta do brutamontes Aaron e da amizade com Win e com Esperanza. Logo, se você tem este volume em mão, leia de forma despreocupada, você entenderá mais de 90% da história sem precisar voltar algumas páginas para ver se não pulou alguma informação vital.


Já estava sentindo falta de trazer a vocês algumas suposições daqueles que eu vejo interpretando alguns personagens da obra caso ela fosse adaptada a um outra mídia. Ainda continuo travando uma batalha com a caracterização de Myron - até então tem sido impossível imaginar o rosto do detetive! Entretanto,os representantes de carne e osso de Duane, Deanna, Valerie e Esperanza, ao meu ver, não poderiam ser mais ninguém do que Jesse Willians, Loretta Devine, Miranda Kerr e Sophia Vergara (esq-dir). 


A edição se assemelha muito com "Quebra de Confiança", o primeiro da série investigativa. Traz uma capa sóbria, com detalhes bem simples (um alto relevo no título) e uma imagem que remete o leitor ao caso abordado. Páginas amarelas, meu amigo, comemore. Fontes agradáveis, diagramação ok e uma boa revisão. A editora Arqueiro traz mais um exemplar de qualidade, apesar de ainda optar pela simplicidade da edição.

Creio que são poucos os aficionados por leitura que não gostem de um bom mistério; talvez quem afirme o contrário, ainda não tenha encontrado o título certo para mudar de opinião. Posso oferecer um, na verdade, mais do que isso, posso oferecer apenas um nome: Harlan Coben. Através do caráter perfeitamente verossímil de suas personagens e de sacadas inteligentíssimas, Coben apresenta o mundo do mistério aos leitores de uma forma bem diferente do que geralmente é encontrado aos montes nas livrarias. Para quem esta a procura de um livro que o intrigue e ao mesmo tempo mude para melhor um humor desgastado pelo cotidiano, não pode deixar de conferir os casos do irreverente Bolitar. Uma overdose de sarcasmo é o que o aguarda. 

Título: Jogada Mortal      AutorHarlan Coben  

EditoraArqueiro

Notas: |Enredo: 08/10 | Edição: 07/10Entusiasmo:08/10| 

4 comentários:

  1. Adoro os livros do Harlan, no momento estou lendo Não conte a ninguém. Ele prende a gente no livro do começo ao fim. Esse não li ainda, mas pretendo ler.

    http://blogprefacio.blogspot.com.br/

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    1. Estou com "Não conte a ninguém" na minha lista de desejados há uns bons anos. rs
      Na realidade, foi a forma como comecei a conhecer o autor...lembro de ter visto uma pessoa lendo na casa de um amigo...e acabei me interessando. Fiquei sabendo até mesmo que há um filme. O que geralmente me motiva mais ainda a ler um livro. Espero que em 2013 eu consiga dar uma conferida.
      Obrigado pela visita! ;]

      Beijos,
      Lucas

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  2. Oi, tudo bom?
    Nunca li nenhum livro dele , mas quero ler ...
    Muita gente fala muito bem dele :]
    Feliz 2013 '
    Território das garotas
    @territoriodg
    Bjss *-*
    Passa lá no blog?
    http://territoriodascompradorasdelivro.blogspot.com/

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    1. Não sabe o que está perdendo então. rss
      x]

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